O Trenzinho da Alegria

A Disney italiana tem no ar um site com as melhores histórias da revista Topolino ano após ano, na íntegra.

PEDRO BOUÇA está a ler as BDs sugeridas cronologicamente e a escrever sobre elas.

A terceira é A Christmas For Shacktown (em italiano Paperino e il ventino fatale e no Brasil O trenzinho da alegria).  É de 1952.

Republico o texto que saiu no Guia dos Quadrinhos (link ali ao lado).

Depois de uma sequência de histórias pouco ou nada conhecidas no Brasil e em Portugal, chegamos agora a uma que foi publicada nada menos que SEIS vezes no Brasil: O Trenzinho Da Alegria, clássico indiscutível de Carl Barks!

Para quem não leu e ainda não tem, aqui vai o link da versão italiana:
http://www.disney.it/publishing/topolinomagazine/topostory/#/anni/1952/leggilastoria/1952_storia.jsp

O link do INDUCKS:
http://coa.inducks.org/story.php?c=W+OS++367-02

O que não foi ainda dito dessa história? É um dos grandes clássicos de Barks, talvez o maior. Top 10 de melhor quadrinho Disney, FÁCIL! Mostra a família Pato se juntando para dar uma festa de natal de presente para as crianças de uma comunidade pobre, mas o Tio Patinhas (como sempre) não quer colaborar para a compra de um trenzinho de brinquedo – e acaba pagando bastante caro por isso.

Como é habitual nos EUA em geral e no material Disney em particular, raramente os problemas sociais costumam ser abordados. A cultura americana é uma de que se você não tem sucesso, há um problema com VOCÊ, não com a sociedade! E o entretenimento criado por lá acompanha. Quem costuma abordar os problemas sociais nos quadrinhos Disney são normalmente os italianos (em particular Guido Martina) e, ocasionalmente, os brasileiros através do Zé Carioca. Nesta história, porém, Barks aborda a questão de forma bastante contundente.

Ao fazer o milionário elitista (Patinhas) ser lançado nas mesmas condições de miséria que as crianças carentes da história e, ironicamente, ser salvo precisamente por aquilo que desdenhava (o trenzinho de brinquedo), Barks envia uma mensagem social muito mais sutil e eficiente que as de Martina. E não há dúvida de que a visão da pobreza no início da história deve ter dado a mais de uma criança americana um vislumbre de que nem todos no mundo viviam na situação privilegiada em que eles estavam no início dos anos 50. Uma mensagem poderosa e sempre eficiente em uma HQ que, apesar de ter mais de 60 anos de idade, não envelheceu um dia.

Como entretenimento também é uma obra exemplar. Quase toda a família Pato existente na época aparece na história e cumpre um papel narrativo. As tentativas sempre fracassadas de Donald para tirar dinheiro do Tio Patinhas são hilariantes e, apesar da temática séria, toda a obra é contada com leveza e humor exemplares.

Uma obra-prima inquestionável, muito provavelmente a melhor HQ desta lista e uma das melhores de toda a mídia dos quadrinhos!

PEDRO BOUÇA

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