O Tesouro de Domba

mook

A Disney italiana tem no ar um site com as melhores histórias da revista Topolino ano após ano, na íntegra. O PEDRO BOUÇA está a ler as BDs sugeridas cronologicamente e a escrever sobre elas.

A segunda é Tesouro de Domba de 1950.

Republico o texto que saiu no Guia dos Quadrinhos (link ali ao lado).

Um clássico de Bill Walsh e Floyd Gottfredson, O Tesouro de Domba foi a última aventura clássica de Mickey com o Esquálidus. O “homem do futuro” surgira apenas três anos antes nas tiras de jornal do Mickey, mas se tornou rapidamente parceiro do Mickey e co-protagonista. O fato de ter muito mais possibilidades narrativas do que o Pateta (graças aos seus poderes e manias esquisitas) certamente o colocou nas graças da dupla Walsh e Gottfredson, que relegou o Pateta a segundo plano por anos até serem obrigados a descartar o Esquálidus e trazer o Pateta de volta por imposição superior, não sei se da Disney ou da King Features. Isso aconteceria nas tiras publicadas logo depois dessa história, que não estão no site da Topolino. Os italianos, porém, “adotaram” o personagem e o mantiveram em publicação por anos, até que ele voltasse nos outros países. Gottfredson, no entanto, nunca mais o parece ter desenhado.

Toda a “saga” do Esquálidus foi publicada nas primeiras Pato Donald em formatinho no início dos anos 50 (números 22 a 85). O Álvaro de Moya parece ter estado envolvido com a revista na época e se alguma boa alma puder perguntá-lo sobre como foi a publicação desse material, talvez ele possa nos fornecer mais detalhes. Penso que todos os outros envolvidos já estão mortos há muito tempo…

Enfim, de volta à história em si, como o próprio título prenuncia, trata-se de uma caçada ao tesouro. Uma LONGA caçada ao tesouro! Durante os seis meses de publicação da tira (e de serialização da história na Itália!) Mickey e Esquálidus atravessam meio mundo procurando pistas. A lógica dessas pistas é meio esdrúxula, mas a revelação final de que o responsável, o mencionado Domba, era o gênio da lâmpada de Aladim (!) dá uma explicação mais plausível para os acontecimentos.

Menos plausível é a revelação de que o Bafo-de-Onça fora sempre um dos chefes de uma agência de espionagem de uma potência estrangeira (uma mal disfarçada União Soviética!). Mas que diabo fazia ele então em Ratópolis cometendo crimes baratos? Difícil de engolir…

Os autores criam também uma série de personagens interessantes para Mickey e Esquálidus encontrarem ao longo do caminho. Destaque para o cameleiro ventríloquo e para a espiã Cirilla (em italiano, não sei como foi a tradução em português!), que mereciam ser “ressuscitados” por autores modernos. De repente o Casty se anima?

A arte é a habitual de Gottfredson nesse período da sua carreira. Impecável, mas um pouquinho de nada abaixo do que ele fazia dez anos antes. Nessa altura ele trabalhava na tira há 20 anos e dava para perceber que ele já estava em ritmo de linha de montagem. Mas Gottfredson era Gottfredson e o trabalho continuava excelente.

No geral, não foi a história mais inspirada de Walsh e Gottfredson, mas ainda é um trabalho de alta qualidade que merecia uma republicação no Brasil, afinal não dá as caras no país há SESSENTA E UM ANOS! Tá na hora, né? Em Portugal ela continua inédita…

PEDRO BOUÇA

Imagem rapinada daqui.

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5 thoughts on “O Tesouro de Domba

  1. «não sei se da Disney ou da King Features» – eu acho que a imposição foi mais da KING FEATURES do que da DISNEY, pois diz-se que o Walt Disney não gostava nada do Pateta, e quando avisavam-no de que o dinheiro não abundava na WALT DISNEY, ele pedia para cortar nas curtas-metragens de animação do Pateta (lol)!

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  2. Olha eu a comentar outra vez o Pedro Bouça. Queria deixar aqui o código: YM 121. Esta saiu nos EUA em 138 tiras de jornais. Para os que quiserem a BD em papel foi publicada nesta década em França na L’âge d’or de Mickey Mouse par Floyd Gottfredson 9 (março 2014) e em Itália em Gli anni d’oro di Topolino 12 (2010). Para publicações mais antigas vejam o inducks.

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  3. Não gosto muito do Esquálidus. Já li boas histórias com ele, mas confesso que cheguei a pular outras quando percebi que ele era o protagonista. Acho-o chato. Cai bem em algumas tramas, mas nem sempre.

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    1. Fabiano – sei bem o que é implicar com um personagem. O bom é que de vez em quando somos surpreendidos com boas histórias deles. Não que seja o meu caso com o Esquálidus. São muito mais as histórias que gosto dele dos que a que não gosto 🙂

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  4. Menos plausível é a revelação de que o Bafo-de-Onça fora sempre um dos chefes de uma agência de espionagem de uma potência estrangeira (uma mal disfarçada União Soviética!). Mas que diabo fazia ele então em Ratópolis cometendo crimes baratos? Difícil de engolir…»
    Então, era assim que ele treinava para depois praticar o mal em larga escala!! XD

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